Biografias Desconhecidas: Bode Gabby

     Bem-vindos a mais um artigo das Biografias Desconhecidas, onde falo sobre personagens menos conhecidas, esquecidas pelo tempo ou simplesmente que nunca foram tão relevantes comparado com outras.

    Hoje vou apresentar uma personagem dos Looney Tunes que apareceu em apenas 3 curtas clássicas da série dos Looney Tunes, que ressurgiu de uma forma aparentemente aleatória e que partilha algum do seu ADN com o Rato Mickey e o Oswald, o Coelho Sortudo (sem ser o facto de terem surgido na era rubberhose da animação dos anos 20 e 30). Falo-vos do Bode Gabby, ou Gabby Goat no original.



    Este bode foi criado para ser o sidekick do Porky Pig, antes do cargo ter sido ocupado por Daffy Duck (que ao fim de alguns anos iria acabar por inverter os papeis). O criador desta personagem é nada mais nada menos que Ub Iwerks, co-criador do Rato Mickey e do Oswald, o Coelho Sortudo, e criador do Flip the Frog. Iwerks só realizou 2 curtas dos Looney Tunes, Porky and Gabby e Porky's Super Service, ambas de 1937.
    A primeira curta de Iwerks para os Looney Tunes e as curtas Porky's Badtime Story e Get Rich Quick Porky foram as únicas que contaram com a presença do Bode Gabby. Apesar disso, alguns storyboards revelam que Gabby iria aparecer na curta Porky's Party, mas foi substituído por um pinguim.

Storyboards iniciais da curta Porky's Party (1938)

    E esta não foi a única curta em que Gabby foi substituído, visto que em 1944 a curta Porky's Badtime Story recebeu um remake intitulada Tick Tock Tuckered (ou Maldito Relógio, na dobragem portuguesa), com o Daffy Duck no lugar do Gabby.

    Só passados quase 80 anos é que Gabby iria aparecer outra vez em qualquer produção dos Looney Tunes, através da série televisiva New Looney Tunes (sendo que a primeira temporada cá em Portugal ficou conhecida pelo nome Bugs! Uma Produção Looney Tunes).

    Então se a série passou em Portugal, quer dizer que o Bode Gabby foi dobrado, não foi? Se esta era a pergunta que vos estava a ocorrer na vossa mente, então posso dizer que é verdade. Mas ele foi dobrado uma vez, numa das cassetes da Trisan, através dos estúdios da Gravisom. Por isso, essa dobragem, apesar de legal por ter sido com a curta em domínio público Get Rich Quick Porky, não é reconhecida pela Warner Bros. de forma oficial.

Enriquece Depressa, Porky (1937)

    No entanto, a PTSDI Media (anteriormente conhecida como os estúdios da Matinha) não só foi o estúdio responsável pela dobragem não só das curtas dos Looney Tunes entre 1996 e os meados de 2000 (com as vozes de Carlos Freixo e Paulo Oom, entre outros, como parte do elenco regular) como também dobrou a série com um elenco novo, tendo mantido o Paulo Oom como Bugs Bunny nos primeiros episódios e Paulo B. como Yosemite Sam. E foi exatamente o Paulo B. o dobrador que ficou com o papel do Gabby.


    Mas na sua última aparição nessa série (ou pelo menos na voz cantada), foi Pedro Bargado quem deu a voz ao Gabby.


    Antes de terminar esta publicação, queria agradecer ao Afonso Gageiro por ter cedido as digitalizações das cassetes da Trisan para completar a Wiki Dobragens. Foi através dele que descobri  que a personagem foi dobrada em 1995. Agradeço também ao Fábio Oliveira por me deixar partilhar as digitalizações das mesmas cassetes que ele encontrou.

    O universo dos Looney Tunes está cheio de exemplos de personagens agora menos conhecidas que apareceram antes do Bugs Bunny, do Daffy Duck e de outras personagens mais conhecidas. Algumas chegaram a ser dobradas cá em Portugal (mesmo que só por meios não-oficiais), enquanto que outras não tiveram essa sorte. Fiquem atentos, porque vou falar de mais exemplos desses.

Os Tesouros do Arquivo: A BD Disney exclusiva de Portugal (Parte 2)

Título Original: Quando os Irmãos Metralha roubaram a Taça do Euro 2004 (Parte 2)

     As referências à cultura e geografia portuguesas são abundantes nesta história de banda desenhada. Desde representações de monumentos e locais icónicos a simples menções a pratos da nossa gastronomia, há sempre alguma coisa que os leitores portugueses vão achar interessante.

    Ainda em Patópolis (ou Patolândia, segundo as dobragens), já existem duas referências portuguesas. Numa tentativa de arranjar algum dinheiro, os Irmãos Metralha mencionam as Sandes de Corato (ou de Courato) e os famosos Pastéis de Bacalhau. E apesar de terem a sua origem na Índia, também é de destacar a menção às Chamuças, que foram introduzidas em Portugal graças à culinária indo-portuguesa das regiões de Goa, Damão e Diu.


    E será que a caixa-forte do Patinhas também foi pintada em homenagem a Portugal? Acho que é mais seguro afirmar que se trata apenas de uma adaptação para o público português por causa da moeda. No  original, a caixa-forte contém o símbolo do dólar americano ($), mas também é uma espécie de trocadilho por se basear na letra S, a inicial do Patinhas nas versões originais (Scrooge McDuck).

    O Presidente da Câmara fala qual vai ser o trajeto percorrido pela taça, mencionando as principais localidades portuguesas de Porto, Coimbra, Leiria, Guimarães, Braga, Aveiro, Lisboa


    E como seria de esperar, é apresentada uma versão gráfica do percurso que o Patinhas, o Donald e os sobrinhos terão que fazer.


    Um pouco off-topic, mas tinha de referir que recentemente o comediante Diogo Batáguas fez um percurso idêntico num vídeo para a Sport TV. Aliás, grande parte dos estádios que ele visitou em 24 horas são os estádios criados para o Euro 2004.


    E qual é a cidade que teve o privilégio de ser a primeira a ser representada numa banda desenhada Disney? A cidade do Porto, pois claro. A cidade que me viu nascer foi também a cidade que recebeu a família Pato e McPato.



    Vai um salto da ponte como alguns jovens portuenses faziam? Ou preferem passar pela Torre dos Clérigos e pela Sé?


    Não? E que tal ver a programação do Teatro Sá da Bandeira? Ou uma ida ao Mercado do Bolhão?


    Alto lá? Peixe nada fresco? Mas isto não é o Astérix! Pelo menos isto poderá mostrar como as BDs francófonas influenciaram a cultura portuguesa.
    Seja como for, se calhar é preciso pegar no dicionário Portuense-Português enquanto se pede um cimbalino, ou não? Perdoem-me lisboetas, queria dizer "bica". E brasileiros, desculpem-me, queria dizer "café".
    Por falar em café, se calhar esta é uma boa oportunidade para falar na paródia Disney ao café Majestic.


    Depois da bulha no Bolhão, a taça passa pela cidade dos estudantes, Coimbra. Quem não se lembra das casas do Portugal dos Pequeninos? Como assim é "Pequenitos" e não "Pequeninos"? (Fora de brincadeiras, eu sei como é que se escreve o nome do parque temático. Apenas achei interessante como uma simples letra pode evitar algum tipo de processo. Mas se calhar é melhor não dizer isso em frente ao Huguinho...


    E será que em 2004 já havia o conceito de fat shaming? É que, embora eu não faça parte das tunas da minha faculdade, não me lembro de se ouvir falar em Mulher Velha na letra da Mulher Gorda. Mas parece que o Donald já aprendeu a Balada da Despedida.


    Depois de passar por Coimbra, os nossos heróis acabam por se cruzar com peregrinos... Será que passaram por lá por volta do dia 13? Uma coisa é certa, montaram a tenda em Pombal, a avaliar pela placa.


    Ainda antes dos diretos do Instagram e dos streams da Twitch, já estes patos faziam isso em pleno ano de 2004. E parece que o Tio Patinhas esteve atento às lições de História de Portugal.

    Desculpem se isto pareceu cringe. Eu estava literalmente sem ideias para o que haveria de escrever para esta publicação.
    Mas não vou dar mais spoilers, ou iria meter a banda desenhada toda. Por isso, vou dar por terminado este artigo. Em breve, vou recomeçar a escrever para o blogue e vou fazer mais publicações das Biografias Desconhecidas. Fiquem atentos.

Os Tesouros do Arquivo: A BD Disney exclusiva de Portugal (Parte 1)

Título original: Quando os Irmãos Metralha roubaram a Taça do Euro 2004 (Parte 1)

     O universo das bandas desenhadas Disney tem muitos autores das mais diversas nacionalidades. A grande maioria das BDs vêm dos velhos mestres norte-americanos como Carl Barks, Don RosaAl Taliaferro e Floyd Gottfredson, ou dos talentosos autores italianos Romano ScarpaMarco Rota e Giorgio Cavazzano, ou até dos países do Norte da Europa como Holanda, Noruega e Dinamarca. Mas então e Portugal?

    Durante muitos anos, não houve um autor português que tivesse contribuído para a vasta biblioteca com histórias da Calisota (o estado norte-americano fictício onde se encontra Patópolis/Patolândia e Ratópolis). E até à data, só existe mesmo registo de uma única história escrita por um português. Se viram o título, já devem estar a prever do que se trata.

    Escrita por Paulo Ferreira, editor da Edimpresa (a editora que na época era responsável pela publicação das BDs Disney em Portugal) e pelo estúdio catalão Comicup Studio, composta por Jordi Afono, Tony Fernández e Manuel Montero, "O Roubo da Taça do Euro" foi a única história de BD da Disney publicada propositadamente para Portugal (e tem sido exclusiva ao nosso país desde então). Esta banda desenhada foi lançada em 2004 na revista Disney Edição Especial Euro 2004. Como o próprio nome indica, foi lançada para comemorar o campeonato europeu de futebol que decorreu nas terras lusitanas (e que muita gente ainda não perdoa o árbitro por causa da final em que a nossa seleção jogou contra a Grécia e perdemos para depois nós fazermos o mesmo com a França em 2016).

    Devido à extensão de referências que existem a Portugal, terei que fazer uma 2ª parte ontlde irei desenvolver mais sobre o assunto. Fiquem atentos. :)

Atualização do Blog: A recomeçar devagar

    Como o próprio nome to título indica, vou recomeçar a escrever com maior regularidade para o blog.
    Poderei não escrever sobre os tópicos que aparecem na secção "Brevemente" do índice, mas irei fazer por abordá-los. Algumas publicações poderão surgir de repente conforme me vou lembrando.
    Fiquem atentos, porque em breve irei regressar com mais novidades.

Biografias Desconhecidas: Clarice, a Esquila

     O universo animado do Rato Mickey já nos deu a conhecer várias personagens, como o Pato Donald, o Pluto, os esquilos Tico e Teco, e até… a Clarice. Muitos devem estar a perguntar quem é esta esquila, mas se foram alguma vez à Disneyland Paris depois de 2010, poderão já se ter cruzado com esta personagem.

Clarice, a Esquila

    Começando pelo início, Clarice apareceu apenas numa única curta-metragem clássica: Dois Esquilos e uma Dama (1952), dobrada por Isabel Ribas na dobragem portuguesa da curta.
    Nesta curta, Clarice aparece como uma esquila que conseguiu roubar os corações de Tico e Teco (ao ponto de combinar um encontro duplo sem o outro esquilo saber). Ela aparece como uma cantora de um clube que os dois esquilos decidem visitar para poderem ver assistir a um espetáculo ao vivo da Clarice.

Clarice, Tico e Teco em Dois Esquilos e uma Dama (1952)

   Depois disso, ela não apareceu numa nova produção animada durante quase 70 anos. Durante esse tempo, ela só apareceu graças a gravações de arquivo, visto que a curta Dois Esquilos e uma Dama foi incluída em várias antologias da Disney e num episódio da série House of Mouse (que por acaso foi o que me introduziu à personagem).

    Em 2005 e nos anos seguintes, Clarice começou a aparecer nos parques Disney de Tóquio, Paris e Hong Kong, possivelmente porque a personagem se tornou popular nessas regiões.

    Esta nova popularidade poderá ter levado a uma nova onda de merchandising e a inclusão da esquila no jogo Disney Magical World 2.

Clarice em Disney Magical World 2

    Só em 2021 é que Clarice volta a aparecer numa nova produção animada, desta vez através do estúdio francês Xilam Animation que produziu a série Tico e Teco: Vida no Parque, inicialmente feita para o Disney+ e agora também no Disney Channel cá em Portugal.
    Nesta nova série, Clarice muda radicalmente de design, passando de uma cantora capaz de seduzir esquilos para uma Maria-rapaz com o cabelo rapado dos lados (possivelmente num estilo punk?). Inicialmente até pensei que fosse uma personagem diferente.

Clarice em Tico e Teco: Vida no Parque

    E enquanto estava a escrever este post e a fazer mais umas pequenas investigações, descobri que inicialmente a Clarice iria ter um design diferente, mais próximo do design original. Esta imagen é do painel da Xiliam na Animation Dingle, e estava entre outros dos materiais dos bastidores referentes à série.

Possivelmente os designs originais da Clarice para a série Tico e Teco: Vida no Parque

    E este foi mais um Biografias Desconhecidas. Escolhi a Clarice exatamente porque apareceu muito pouco em qualquer media, mas ainda assim conseguiu alguma popularidade na Ásia e na Europa.