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Os Tesouros do Arquivo: O Canon de Filmes Disney - As eras, os critérios e as dúvidas do público geral

     Muitas gente já me perguntou quais é que são os filmes realmente da Disney e que eras é que existem. Hoje venho explicar quais é que são os filmes considerados parte do canon da Disney.

    Antes de mais nada, convém esclarecer que filmes é que pertence à categoria. Todos os filmes do canon da Disney foram produzidos pela Walt Disney Animation Studios, quer da Califórnia como da Flórida (relembro o caso de Lilo & Stitch que foi produzido na flórida por fugir muito do estilo habitual da Disney e assim "esconder" dos investidores.

Dúvidas e perguntas frequentes

    Agora para as dúvidas para quem poderá ter problemas a distinguir quais os filmes que pertencem ou não ao canon de filmes da Disney.

    P: Então e os filmes como Toy Story, Brave - Indomável e Carros?
    R: Esses filmes são da Pixar. Embora a Disney tenha distribuído os primeiros filmes antes de comprar os estúdios da Pixar (e ter ficado com os direitos de autor dessas propriedades intelectuais), ainda se trata de uma entidade à parte que faz parte da The Walt Disney Company.

    P: E filmes como Pateta, o Filme, As Aventuras do Tigre, e as outras sequelas dos filmes da Disney?
    R: Esses filmes são ou da DisneyToon Studios e/ou da Walt Disney Television Animation. Algumas seguem histórias originais, outras são baseadas em filmes pré-existentes.

    P: Os filmes Mary Poppins e Se a Minha Cama Voasse fazem parte do canon?
    R: Não porque esses filmes juntam elementos de imagem real com animação. Por norma, os filmes do canon da Disney são sempre animados, salvo raras cenas ou segmentos intersticiais.

    P: E os filmes como Anastasia, Em Busca do Vale Encantado ou Todos os Cães Merecem o Céu?
    R: Compreendo a confusão porque o estilo é muito parecido, mas eles foram produzidos por Don Bluth, um ex-animador da Disney. O único que poderá ser mais próximo de ser da Disney agora é Anastasia por ser da Fox Animation Studios, que foi adquirida pela Disney junto com o resto da 20th Century Fox.

A lista de filmes do canon e as repetivas eras

    Vou então começar por listar as eras, os respetivos filmes e o porquê das designações de cada era. Caso algum filme não tenha sido dobrado, irei adicionar uma nota.

Era de Ouro

  • Branca de Neve e os Sete Anões (Snow White and the Seven Dwarfs, 1937)
  • Pinóquio (Pinocchio, 1940)
  • Fantasia (1940)
  • Dumbo (1941)
  • Bambi (1943)
    Esta era foi o início de tudo. Branca de Neve e os Sete Anões não só foi a primeira longa-metragem da Disney, como foi a primeira de qualquer estúdio. Embora alguns dos filmes tenham recebido críticas mistas aquando dos seus lançamentos originais para cinema, os filmes são vistos hoje de forma favorável, solidificando ainda mais a importância que tiveram.

Tempos de Guerra

  • Olá, Amigos (Saludos Amigos, 1943)
  • A Caixinha de Surpresas (The Three Caballeros, 1945)
  • Música, Maestro! (Make Mine Music, 1946)
  • Batalha de Gigantes (Fun and Fancy Free, 1947)
  • Tempo de Melodia  (Melody Time, 1948)
  • As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo (The Adventures of Ichabod and Mr. Toad, 1949)
    Nota: Nenhum deste filmes recebeu uma dobragem em Portugal. Os dois segmentos principais de As Aventuras de Ichabod e Sr. Sapo foram dobrados, mas nas suas versões separadas como curtas-metragens individuais. Ainda terei de ver se é possível fazer uma recriação do filme recorrendo aos segmentos dobrados.

    Devido à entrada dos Estados Unidos da América na 2ª Guerra Mundial, muitos animadores foram recrutados para participar na luta. Como tal, a equipa viu-se reduzida e os orçamentos eram baixos. Em relação às longas-metragens, há que estar que são consideradas antologias.
    Olá, Amigos também teve o privilégio de ser o primeiro filme original, ou seja, que não foi adaptado a partir de nenhuma história pré-existente e/ou que estivesse em domínio público. No entanto, também se diz que a viagem à América Latina para a produção do filme seriam uma tentativa de Walt Disney fugir da greve de animadores de 1941.

Era de Prata

  • Cinderela (Cinderella, 1950)
  • Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 1951)
  • As Aventuras de Peter Pan (Peter Pan, 1953)
  • A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp, 195)
  • A Bela Adormecida (Sleeping Beauty, 1959)
  • Os 101 Dálmatas (One Hundred and One Dalmatians, 1961)
  • A Espada Era da Lei (The Sword in the Stone, 1963)
  • O Livro da Selva (The Jungle Book, 1967)
    Nesta era, podemos ver os grandes clássicos que muitos se lembram para além da Era de Ouro. O Livro da Selva marca o fim desta era por ter sido o último filme supervisionado por Walt Disney antes do seu falecimento em 1966.

    Curiosidade: A Dama e o Vagabundo foi o primeiro filme da Disney que recebeu uma dobragem portuguesa em home-video sem o seu lançamento para cinema, visto que o seu lançamento em VHS é bastante posterior à sua estreia em cinema. Para além disso, foi a primeira longa-metragem (excluindo as antologias dos Tempos de Guerra) completamente original da Disney. Embora o filme tenha sido promovido como tendo sido baseado no livro homónimo, o livro publicado foi uma estratégia de marketing para continuarem a afirmar que os filmes eram adaptações de livros, sendo que continua a ser da autoria da Disney.

Era de Bronze

  • Os Aristogatos (The Aristocats, 1970)
  • Robin dos Bosques (Robin Hood, 1973)
  • As Extra Aventuras de Winnie The Pooh (The Many Adventures of Winnie the Pooh, 1977)
  • As Aventuras de Bernardo e Bianca (The Rescuers, 1977)

    Nota: As Aventuras de Bernardo e Bianca nunca foi dobrado em Portugal, enquanto que As Extra Aventuras de Winnie The Pooh foi parcialmente dobrado para a mini-série As Mini Aventuras de Winnie The Pooh.

    Os Aristogatos foi o último filme a ser aprovado por Walt Disney, assim como, em parte, o filme As Extra Aventuras de Winnie The Pooh  visto que os segmentos do filme já haviam sido aprovados e lançados como curtas-metragens antes da estreia do filme.
    Robin dos Bosques foi o resultado de tentativas anteriores para filmes ou segmentos animados que envolviam galinhas e raposas antropomórficas, o que levou na adaptação de elementos já existentes para esses projetos cancelados.
    As Aventuras de Bernardo e Bianca já havia sido considerado antes, mas Walt Disney abandonou o projeto devido aos tons políticos que o filme poderia invocar. O projeto foi mais tarde retrabalhado e resultou no filme que foi lançado em 1977.

Era Negra (ou Era Sombria)

  • Papuça e Dentuça (The Fox and the Hound, 1981)
  • Taran e Caldeirão Mágico (The Black Cauldron, 1985)
  • Rato Basílio, O Grande Mestre dos Detectives (The Great Mouse Detective, 1986)
  • Oliver e Seus Companheiros (Oliver & Company, 1988)
    Nota: Apenas Rato Basílio – O Grande Mestre dos Detectives não foi dobrado em Portugal

    Embora Oliver e Seus Companheiros seja uma adaptação da história Oliver Twist, foi dos primeiros filmes da Disney com um cenário mais contemporâneo à época da sua estreia, tendo a cidade de Nova Iorque como cenário principal. O filme Os 101 Dálmatas também teve essa honra, usando Londres e o resto de Inglaterra como o seu cenário.
    Muitos destes filmes, apesar de terem tido críticas menos positivas, são hoje consideradas pérolas perdidas para quem tem curiosidade.

Era do Renascimento

  • A Pequena Sereia (The Little Mermaid, 1989)
  • Bernardo e Bianca na Cangurolândia (The Rescuers Down Under, 1990)
  • A Bela e o Monstro (Beauty and the Beast, 1991)
  • Aladdin (1992)
  • O Rei Leão (The Lion King, 1994)
  • Pocahontas (1995)
  • O Corcunda de Notre Dame (The Hunchback of Notre Dame, 1996)
  • Hércules (Hercules, 1997)
  • Mulan (1998)
  • Tarzan (1999)
    Nota: Apenas Bernardo e Bianca na Cangurolândia não foi dobrado em Portugal

    Para além dos grandes clássicos antes mencionados, estes também acabaram por fazer parte da infância das pessoas ou porque as pessoas foram contemporâneas dos filmes e viram na época em que os filmes saíram ou porque apanharam mais tarde e são quase de visualização obrigatória e que estão a par com os outros clássicos. Eu faço parte mais desta última categoria, mas os filmes continuam a serem-me nostálgicos quase como com as pessoas que viram os filmes a serem lançados nos cinemas.

    Curiosidade: A partir d'O Rei Leão, todos os filmes da Disney passariam a ser dobrados aquando o seu lançamento. Aladdin iria ser mais tarde o único filme do canon animado da Disney a ser dobrado pela Cinemágica, que anteriormente dobrou a série animada baseada no mesmo filme.

Era da Experimentação (ou Era do Pós-Renascimento)

  • Fantasia 2000 (1999)
  • Dinossauro (Dinossaur, 2000)
  • Pacha e o Imperador (The Emperor's New Groove, 2000)
  • Atlântida – O Continente Perdido (Atlantis: The Lost Empire, 2001)
  • Lilo & Stitch (2002)
  • O Planeta do Tesouro (Treasure Planet, 2002)
  • Kenai e Koda (Brother Bear, 2003)
  • O Paraíso da Barafunda (Home on the Range, 2004)
  • Chicken Little (2005)
  • Os Robinsons (Meet the Robinsons, 2007)
  • Bolt (2008)
    Esta foi a era que definitivamente foge mais aos moldes do que era tradicional para a Disney. Grande parte destes filmes foram originais e não foram inspirados em obras já existentes, salvo 3 exceções (desafio-vos a adivinha quais são).
    Foi uma época de altos e baixos, de prejuízos financeiros de bilheteira e de sucessos que deram origem a séries de televisão de sucesso.
    Até posso fazer o teste e perguntar qual ou quais destes filmes ainda são mencionados hoje em dia. Infelizmente, só Pacha e o Imperador e Lilo & Stitch é que são lembrados hoje em dia. E foram esses que tiveram direito a séries. Pessoalmente, também recomendo o filme Kenai e KodaAtlântida – O Continente Perdido e O Planeta do Tesouro por serem outros exemplos de pérolas perdidas que vale a pena ver e de serem lembrados. Os Robinsons e Bolt também são engraçados, não vou mentir, e permitem ver um pouco melhor a transição do 2D para 3D.

    Notas:
  • O filme Selvagem (The Wild, no original) não foi produzido pela Walt Disney Animation Studios. Apenas foi distribuído pela Disney. Nas capas europeias, era possível ver que era considerado um dos clássicos da Disney, aparecendo depois do Chicken Little. Isto deve-se ao facto do filme Dinossauro ter sido um fracasso nas bilheteiras e ter recebido críticas negativas, excluindo da lista de clássicos em algumas regiões. Para "tapar o buraco", o filme Selvagem foi considerado para preencher o lugar. (Em Portugal, foi considerado o clássico número 48.)
  • O filme Fantasia 2000 foi apenas parcialmente dobrado, Sendo que apenas Mickey e Donald foram os únicos interlocutores do filme a serem dobrados.
    Curiosidade: Embora o filme Dinossauro seja o primeiro filme da Disney a usar CGI (ou animação 3D), Chicken Little foi o primeiro filme a ser produzido totalmente com imagens geradas por computador (CGI). Isto deve-se ao facto de Dinossauro ter usado alguns cenários em imagem-real (ou live-action) para partes do filme.

Era da Reinvenção

  • A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009)
  • Entrelaçados (Tangled, 2010)
  • Winnie the Pooh (2011)
  • Força Ralph (Wreck-It Ralph, 2012)
  • Frozen – O Reino do Gelo (Frozen, 2013)
  • Big Hero 6 – Os Novos Heróis (Big Hero 6, 2014)
  • Zootrópolis (Zootopia, 2016)
  • Vaiana (Moana, 2016)
    Vou ser sincero, acho que os Anos da Reinvenção acabaram em 2016  e deram origem à Segunda Era Negra com dois filmes de sucesso pelo meio da era nova (Frozen II e Encanto), ou começou em 2022 depois do filme Encanto. Sinto que a Disney está a entrar em declínio. Para além disso, esta era seria demasiado longa com 15 anos e mais filmes que as outras eras. Estará a Disney realmente a entrar na Segunda Era Negra? Não sei, mas há fatores que parecem apontar para isso.
    Os filmes desta era até são bastante bons. Tivemos a transição da animação tradicional para a animação 3D. 

    Curiosidade: A Princesa e o Sapo e juntamente com Winnie the Pooh foram os últimos filmes produzidos apenas com animação tradicional 2D. No entanto, algumas técnicas de animação tradicional foram ainda utilizadas nos filmes seguintes "em pequenas doses".
    Nota: Em 2017, Paulo OomCarlos Freixo e Luísa Salgueiro acabariam por sair dos Estúdios da Matinha, o estúdio que ainda hoje produz as dobragens portuguesas para a Disney. Para além de dobradores, foram os diretores de dobragens mais recorrentes, sendo que Carlos Freixo esteve presente para dirigir O Rei Leão, para além de dobrar a versão adulta do Simba.

2ª Era Negra

  • Ralph vs Internet (Ralph Breaks the Internet, 2018)
  • Frozen II – O Reino do Gelo (Frozen II, 2019)
  • Raya e o Último Dragão (Raya and the Last Dragon, 2021)
  • Encanto (2021)
  • Estranho Mundo (Strange World, 2022)
  • Wish: O Poder dos Desejos (Wish, 2023)
  • Vaiana 2 (Moana 2, 2024)
  • Zootrópolis 2 (Zootopia 2, 2025)
  • Hexed (2026)
  • Frozen III (2027*)
  • Frozen IV (A anunciar*)
*Filmes ainda com data de lançamento por confirmar ou com datas provisórias

     Duas sequelas seguidas de filmes num curto espaço de tempo? Um deles até era bom, não vou mentir, mas isso é depois na próxima era.
    Ainda há filmes desta era que ainda não tive oportunidade de ver, mas já ouvi dizer que não são muito especiais (e que também geraram algumas polémicas). Pode ser que Raya e o Último Dragão seja visto como uma pérola perdida no futuro. Ou então esta era terá mais um filme bom pelo meio. E digo isto porque Zootrópolis 2 e Frozen III já foram anunciados, e duvido que este último possa trazer algo novo (já Zootrópolis 2, algumas pessoas dizem o mesmo, mas eu ainda tenho alguma esperança que seja decente).


    E é isto. Quando eu tiver oportunidade de ver os filmes, depois vejo se será necessário alterar alguma coisa, principalmente nestes filmes mais recentes.
    Um agradecimento especial ao JLuísJoni, ao Ângelo Carpinteiro, à Ana Rita (Uma Menina De Marte) e ao André Baptista (Disco Riscado) pela inspiração e ideia para esta publicação.

Os Tesouros do Arquivo: A BD Disney exclusiva de Portugal (Parte 2)

Título Original: Quando os Irmãos Metralha roubaram a Taça do Euro 2004 (Parte 2)

     As referências à cultura e geografia portuguesas são abundantes nesta história de banda desenhada. Desde representações de monumentos e locais icónicos a simples menções a pratos da nossa gastronomia, há sempre alguma coisa que os leitores portugueses vão achar interessante.

    Ainda em Patópolis (ou Patolândia, segundo as dobragens), já existem duas referências portuguesas. Numa tentativa de arranjar algum dinheiro, os Irmãos Metralha mencionam as Sandes de Corato (ou de Courato) e os famosos Pastéis de Bacalhau. E apesar de terem a sua origem na Índia, também é de destacar a menção às Chamuças, que foram introduzidas em Portugal graças à culinária indo-portuguesa das regiões de Goa, Damão e Diu.


    E será que a caixa-forte do Patinhas também foi pintada em homenagem a Portugal? Acho que é mais seguro afirmar que se trata apenas de uma adaptação para o público português por causa da moeda. No  original, a caixa-forte contém o símbolo do dólar americano ($), mas também é uma espécie de trocadilho por se basear na letra S, a inicial do Patinhas nas versões originais (Scrooge McDuck).

    O Presidente da Câmara fala qual vai ser o trajeto percorrido pela taça, mencionando as principais localidades portuguesas de Porto, Coimbra, Leiria, Guimarães, Braga, Aveiro, Lisboa


    E como seria de esperar, é apresentada uma versão gráfica do percurso que o Patinhas, o Donald e os sobrinhos terão que fazer.


    Um pouco off-topic, mas tinha de referir que recentemente o comediante Diogo Batáguas fez um percurso idêntico num vídeo para a Sport TV. Aliás, grande parte dos estádios que ele visitou em 24 horas são os estádios criados para o Euro 2004.


    E qual é a cidade que teve o privilégio de ser a primeira a ser representada numa banda desenhada Disney? A cidade do Porto, pois claro. A cidade que me viu nascer foi também a cidade que recebeu a família Pato e McPato.



    Vai um salto da ponte como alguns jovens portuenses faziam? Ou preferem passar pela Torre dos Clérigos e pela Sé?


    Não? E que tal ver a programação do Teatro Sá da Bandeira? Ou uma ida ao Mercado do Bolhão?


    Alto lá? Peixe nada fresco? Mas isto não é o Astérix! Pelo menos isto poderá mostrar como as BDs francófonas influenciaram a cultura portuguesa.
    Seja como for, se calhar é preciso pegar no dicionário Portuense-Português enquanto se pede um cimbalino, ou não? Perdoem-me lisboetas, queria dizer "bica". E brasileiros, desculpem-me, queria dizer "café".
    Por falar em café, se calhar esta é uma boa oportunidade para falar na paródia Disney ao café Majestic.


    Depois da bulha no Bolhão, a taça passa pela cidade dos estudantes, Coimbra. Quem não se lembra das casas do Portugal dos Pequeninos? Como assim é "Pequenitos" e não "Pequeninos"? (Fora de brincadeiras, eu sei como é que se escreve o nome do parque temático. Apenas achei interessante como uma simples letra pode evitar algum tipo de processo. Mas se calhar é melhor não dizer isso em frente ao Huguinho...


    E será que em 2004 já havia o conceito de fat shaming? É que, embora eu não faça parte das tunas da minha faculdade, não me lembro de se ouvir falar em Mulher Velha na letra da Mulher Gorda. Mas parece que o Donald já aprendeu a Balada da Despedida.


    Depois de passar por Coimbra, os nossos heróis acabam por se cruzar com peregrinos... Será que passaram por lá por volta do dia 13? Uma coisa é certa, montaram a tenda em Pombal, a avaliar pela placa.


    Ainda antes dos diretos do Instagram e dos streams da Twitch, já estes patos faziam isso em pleno ano de 2004. E parece que o Tio Patinhas esteve atento às lições de História de Portugal.

    Desculpem se isto pareceu cringe. Eu estava literalmente sem ideias para o que haveria de escrever para esta publicação.
    Mas não vou dar mais spoilers, ou iria meter a banda desenhada toda. Por isso, vou dar por terminado este artigo. Em breve, vou recomeçar a escrever para o blogue e vou fazer mais publicações das Biografias Desconhecidas. Fiquem atentos.

Os Tesouros do Arquivo: A BD Disney exclusiva de Portugal (Parte 1)

Título original: Quando os Irmãos Metralha roubaram a Taça do Euro 2004 (Parte 1)

     O universo das bandas desenhadas Disney tem muitos autores das mais diversas nacionalidades. A grande maioria das BDs vêm dos velhos mestres norte-americanos como Carl Barks, Don RosaAl Taliaferro e Floyd Gottfredson, ou dos talentosos autores italianos Romano ScarpaMarco Rota e Giorgio Cavazzano, ou até dos países do Norte da Europa como Holanda, Noruega e Dinamarca. Mas então e Portugal?

    Durante muitos anos, não houve um autor português que tivesse contribuído para a vasta biblioteca com histórias da Calisota (o estado norte-americano fictício onde se encontra Patópolis/Patolândia e Ratópolis). E até à data, só existe mesmo registo de uma única história escrita por um português. Se viram o título, já devem estar a prever do que se trata.

    Escrita por Paulo Ferreira, editor da Edimpresa (a editora que na época era responsável pela publicação das BDs Disney em Portugal) e pelo estúdio catalão Comicup Studio, composta por Jordi Afono, Tony Fernández e Manuel Montero, "O Roubo da Taça do Euro" foi a única história de BD da Disney publicada propositadamente para Portugal (e tem sido exclusiva ao nosso país desde então). Esta banda desenhada foi lançada em 2004 na revista Disney Edição Especial Euro 2004. Como o próprio nome indica, foi lançada para comemorar o campeonato europeu de futebol que decorreu nas terras lusitanas (e que muita gente ainda não perdoa o árbitro por causa da final em que a nossa seleção jogou contra a Grécia e perdemos para depois nós fazermos o mesmo com a França em 2016).

    Devido à extensão de referências que existem a Portugal, terei que fazer uma 2ª parte ontlde irei desenvolver mais sobre o assunto. Fiquem atentos. :)

Biografias Desconhecidas: Clarice, a Esquila

     O universo animado do Rato Mickey já nos deu a conhecer várias personagens, como o Pato Donald, o Pluto, os esquilos Tico e Teco, e até… a Clarice. Muitos devem estar a perguntar quem é esta esquila, mas se foram alguma vez à Disneyland Paris depois de 2010, poderão já se ter cruzado com esta personagem.

Clarice, a Esquila

    Começando pelo início, Clarice apareceu apenas numa única curta-metragem clássica: Dois Esquilos e uma Dama (1952), dobrada por Isabel Ribas na dobragem portuguesa da curta.
    Nesta curta, Clarice aparece como uma esquila que conseguiu roubar os corações de Tico e Teco (ao ponto de combinar um encontro duplo sem o outro esquilo saber). Ela aparece como uma cantora de um clube que os dois esquilos decidem visitar para poderem ver assistir a um espetáculo ao vivo da Clarice.

Clarice, Tico e Teco em Dois Esquilos e uma Dama (1952)

   Depois disso, ela não apareceu numa nova produção animada durante quase 70 anos. Durante esse tempo, ela só apareceu graças a gravações de arquivo, visto que a curta Dois Esquilos e uma Dama foi incluída em várias antologias da Disney e num episódio da série House of Mouse (que por acaso foi o que me introduziu à personagem).

    Em 2005 e nos anos seguintes, Clarice começou a aparecer nos parques Disney de Tóquio, Paris e Hong Kong, possivelmente porque a personagem se tornou popular nessas regiões.

    Esta nova popularidade poderá ter levado a uma nova onda de merchandising e a inclusão da esquila no jogo Disney Magical World 2.

Clarice em Disney Magical World 2

    Só em 2021 é que Clarice volta a aparecer numa nova produção animada, desta vez através do estúdio francês Xilam Animation que produziu a série Tico e Teco: Vida no Parque, inicialmente feita para o Disney+ e agora também no Disney Channel cá em Portugal.
    Nesta nova série, Clarice muda radicalmente de design, passando de uma cantora capaz de seduzir esquilos para uma Maria-rapaz com o cabelo rapado dos lados (possivelmente num estilo punk?). Inicialmente até pensei que fosse uma personagem diferente.

Clarice em Tico e Teco: Vida no Parque

    E enquanto estava a escrever este post e a fazer mais umas pequenas investigações, descobri que inicialmente a Clarice iria ter um design diferente, mais próximo do design original. Esta imagen é do painel da Xiliam na Animation Dingle, e estava entre outros dos materiais dos bastidores referentes à série.

Possivelmente os designs originais da Clarice para a série Tico e Teco: Vida no Parque

    E este foi mais um Biografias Desconhecidas. Escolhi a Clarice exatamente porque apareceu muito pouco em qualquer media, mas ainda assim conseguiu alguma popularidade na Ásia e na Europa.

Os Tesouros do Arquivo: Cassetes bootleg em Portugal (Parte 2)

Quais são as curtas-metragens em domínio público?

    Nesta segunda parte, irei falar nas curtas-metragens que se encontram em domínio público.

   Como é que essas curtas conseguiram chegar a esse ponto? Por duas razões: ou os estúdios não se importavam com as curtas em questão ou por mero esquecimento.

As Curtas da Disney

   O mais estranho é que a Disney tem algumas curtas em domínio público. Deixo aqui a lista dos títulos originais das curtas-metragens que se encontram em domínio público.

    Resumindo, a grande maioria dos trabalhos do Walt Disney antes da criação do Mickey estão em domínio público, assim como as propagandas da 2ª Guerra Mundial e uma curta ou outra ocasional em que a Disney poderá se ter esquecido de renovar os direitos de autor.

Warner Bros. e a A.A.P.

    No caso dos Looney Tunes, a lista é extensa e só se encontram em domínio público por desleixo da Warner Bros. na época. Mas o que piorou foi mesmo o facto de terem vendido os filmes à A.A.P. (ou Associated Artists Productions). Isso contribuiu para que grande parte do catálogo deixasse de estar debaixo do teto do próprio estúdio que as criou.

     Como são várias, recomendo consultarem a lista presente na Looney Tunes Wiki.

    O mesmo aconteceu com outras curtas (como curtas da Fleischer Studios, do Popeye, da Luluzinha, Casper e muito mais) que a A.A.P. adquiriu ao longo dos anos.

    Por norma, as capas são tentativas de recriar cenas de uma das curtas incluídas. Muitas vezes, a arte é tão vaga que ninguém iria adivinhar que aquilo serve para representar uma cena da cassete.

    Curiosamente, algumas das curtas em domínio público têm dobragens portuguesas oficiais. Ou seja, a Disney e a Warner Bros. encomendaram dobragens aos estúdios habituais que dobraram as outras produções deles. Por exemplo, existem no mínimo 14 curtas dos Looney Tunes dobradas nos estúdios da Matinha. Portanto, para quem conhece a clássica dobragem portuguesa, sim, o Carlos Freixo também dirigiu essas curtas, para além de ter participado nas mesmas.

  No entanto, foi graças a estas dobragens "clandestinas" que personagens esquecidas como BoskoFoxy e Gabby Goat (todos eles dos Looney Tunes) foram dobradas pela primeira e única vez (exceto o Gabby, que iria ser dobrado por Paulo B. na série New Looney Tunes).

    Gostaria de partilhar uma das curtas em domínio público da Disney que recebeu uma dobragem oficial (com as vozes de Rui Paulo e de Sandra de Castro como Mickey e Minnie, respetivamente).

    Na próxima parte desta saga, irei finalmente falar sobre a qualidade (ou a falta dela) dessas cassetes, assim como algumas comparações com curtas dos Looney Tunes entre as versões bootleg e as versões oficiais.

Biografias Desconhecidas: Oswald, o Coelho Sortudo

     Os grandes fãs Disney já o conhecem como a primeira estrela do Walt Disney antes do Rato Mickey, mas a maioria do comum dos mortais não conhecem este coelho.

Oswald, o Coelho Sortudo

    Criado em 1927 para a Universal Pictures e com a sua primeira curta-metragem intitulada Trolley Troubles, Oswald the Lucky Rabbit foi a estrela que conseguiu catapultar Walt Disney, Ub Iwerks e toda a sua equipa para o sucesso, garantido um lugar na história com a importância que tiveram no mundo da animação.

Poster de Trolley Troubles, 1927

    Com este coelho, surgiram várias personagens para compor o elenco e para aparecerem ao lado do mesmo. Para começar, podemos referir Fanny Cottontail, o primeiro amor de Oswald.

Francine "Fanny" Cottontail em All Wet (1927)

    No entanto, esta foi rapidamente substituída por Sadie Whiskers, talvez agora mais conhecida por Ortensia, nome que ficou oficializado no primeiro jogo do Epic Mickey. Porquê oficializado? Bem, o nome era desconhecido, sendo que o nome Sadie vem de um copyright antigo. Também se desconfia que tivesse o nome Kittie, quando Walt Disney já não era o responsável pelas curtas-metragens do Oswald.

Ortensia em Sky Scrappers (1928)

    Com Ortensia, também apareceram Homer, o irmão mais novo dela, e J. P. Whiskers, o pai.

Homer em All Wet (1927)
 J. P. Whiskers em Rival Romeos (1928)

    E por fim, só falta falar no rival, Peg-Leg Pete. Sim, o mesmo Pete do Rato Mickey. Antes de ele aparecer como um gato, ele era um urso já nos tempos da série Alice Comedies.

Pete e Oswald em Ozzie of the Mounted (1928)

    Bom, devido a problemas contratuais com o produtor Charles Mintz das curtas, Walt Disney e parte da sua equipa saíram, mas a Universal continuou com os direitos de autor da personagem.
    Com a saída de Walt, veio outro Walt. Quem é esse? Walter Lantz, que mais tarde iria criar o Pica-Pau (Woody Woodpecker no original).

Poster do Oswald durante a era Walter Lantz

    Infelizmente, com a saída de Walt (que iria a ter sucesso com o Rato Mickey num estúdio independente fundado pelo próprio Walt e pelo irmão Roy), Oswald foi perdendo a popularidade, chegando a cair no esquecimento e sendo substituído por Andy Panda e por Pica-Pau. No entanto, Oswald ainda apareceu nas revistas de banda desenhada.

Capa da banda desenhada Oswald the Rabbit
    No entanto, a Disney não se esqueceu da personagem. Oswald foi mencionado em vários programas e produções televisivas da Disney.

Oswald no episódio Walt Disney: One Man's Dream (1981), da série de antologia.

    De forma idêntica, a Universal também não se esqueceu das origens deste coelho, sendo que Walt Disney é referido pelo nome numa linha de merchandising que se tornou popular no Japão no início do séc. XXI.

Alguns dos produtos vendidos nos partes da Universal Studios, no Japão

Pormenor da etiqueta dos produtos do Oswald
vendidos no Japão, onde Walt Disney é mencionado

    Aliás, se não fosse essa linha, Oswald iria cair no esquecimento, ficando com a sua última aparição na Universal presa a um cameo num jogo brasileiro para a Sega Mega Drive.

Oswald em Férias Frutadas do Pica-Pau,
para a Sega Mega Drive do Brasil (1996)

    Como referi, Oswald tornou-se popular no Japão, e ainda hoje o é, principalmente com as curtas de Walt Disney com o coelho.

    Nessa mesma altura, a Disney estava a passar um mau bocado no mercado dos videojogos. Nessa altura, surgiu uma ideia que poderia colocar o nome da empresa numa melhor posição, principalmente depois da reputação que os jogos licenciados tinham na época dos anos 2000.
    A ideia que mais persistiu foi um jogo com o Mickey no lugar do protagonista. Quando um membro da equipa de desenvolvimento teve conhecimento da existência do Oswald, a ideia de voltar a tornar a personagem relevante tornou-se num ponto essencial do jogo.

Arte conceptual do jogo Epic Mickey

    Quando se aperceberam que o Oswald não era propriedade intelectual da The Walt Disney Company, Bob Iger, antigo CEO da Disney, prometeu que iria recuperar os direitos de autor assim que assumisse o cargo.

    Dito e feito, em fevereiro de 2006, a ABC (propriedade da Disney) mandou Al Michaels, comentador desportivo da ESPN, para a NBC (propriedade da Universal), visto que o seu parceiro John Madden tinha feito a transferência meses antes.
    Em troca, a Universal cedeu os direitos de autor do Oswald, assim como as curtas da autoria do Walt Disney para a Universal.

Pin comemorativo do regresso do Oswald de 2006

    Assim, começou o desenvolvimento do jogo Epic Mickey, que iria ser lançado em 2010. Esse jogo iria dar a Oswald o reconhecimento tão desejado.

Capa do jogo Epic Mickey (2010)

    Depois disso, Oswald iria ter direito à sua primeira aparição numa produção cinematográfica da Disney em 2013, na curta A Cavalo!, com um cameo curto, mas um Easter Egg que merece o reconhecimento.

Oswald em A Cavalo! (2013)

    Mais tarde, Oswald iria ter mais uns cameos nas novas curtas do Mickey de Paul Rudish, que começaram em 2013.

    No entanto, também devo referir que Oswald também teve um papel numa curta-metragem feita mesmo para o mercado português, que foi fruto de um concurso para promover o jogo Epic Mickey. Nessa curta intitulada de Mickey em Concurso de Música, Oswald é dobrado por Paulo Oom, o dobrador oficial de um certo coelho cinzento da concorrência, Bugs Bunny.

    Algo que eu queria destacar é mesmo uma história de banda desenhada original que Oswald iria receber, intitulada Just Like Magic!, isto fora da franquia Epic Mickey, que também teve direito a BDs originais.

Capa da edição nº 726 de
Walt Disney's Comics and Stories

    Nos parques Disney, Oswald iria aparecer pela primeira vez na Tokyo Disneyland, com a Ortensia a aparecer algum tempo mais tarde em 2018 na Disneyland Paris durante o Disney Fan Daze. Esse evento também iria marcar a utilização do tema musical do Oswald criado nos tempos de Walter Lantz.

Oswald e Ortensia no Disney Fan Daze, na Disneyland Paris (2018)

    E esta foi a biografia do meio-irmão do Rato Mickey, a verdadeira primeira estrela da animação criada por Walt Disney. Sem o Oswald, se calhar a Disney não seria o que é agora.

Biografias Desconhecidas: Dumbela Pato

    Agora que a 2ª temporada do reboot de PatoAventuras está disponível em Portugal, muita gente já conhece a irmã gémea do Donald, a mãe dos trigémeos Huguinho, Zezinho e Luisinho. Ok, se calhar ainda há muita gente que não conhece a Dumbela. Ou devo dizer Della? Thelma? Sim, é difícil dizer qual é o verdadeiro nome… Se calhar é melhor começar por partes.

    Comecemos então pelo início, quando Huguinho, Zezinho e Luisinho apareceram pela primeira vez. Na tira de banda desenhada “Donald’s Nephews” de 1937, Dumbela é mencionada na carta que ela envia para o Donald juntamente com os filhos. Mas ela assina como “prima Della”?

"Donald's Nephews",  Al Taliaferro (1937)

     Bom, pode ter sido um erro, ou simplesmente ainda estavam a criar a árvore genealógica. Mas o pior é a versão francesa, em que quem assina a carta é a Clarabela.

    Em 1938, a curta de animação homónima iria marcar a primeira aparição animada de Hugo, Zé e Luís. Aí, o postal já tem a assinatura da “irmã Dumbella”.

"Os Sobrinhos do Donald" (1938)

    De facto, Don Rosa iria confirmar que Donald e Dumbela/Della são irmãos gémeos na árvore genealógica da família Pato, McPato e Ganso.

"The Duck Family Tree", Don Rosa (1992)

    Então, o que é feito da Dumbela? Bom, há uma história de banda desenhada da Holanda de 2014 que conta o que aconteceu. Felizmente, existe uma versão oficial dessa mesma BD traduzida em português (do Brasil), com o título “Laços de Família” (link para o download aqui, cortesia da Quadridisney).

Capa de "Pato Donald - nº 2442", Editora Abril (2015)

    Mas resumindo, assim como o Donald é marinheiro, Dumbela queria pilotar aviões. Ela acaba por voar numa nave espacial experimental e atinge uma velocidade próxima dá da luz, fazendo com que o tempo passe mais devagar para ela (isto através da Teoria da Relatividade de Albert Einstein).

    E com o reboot de 2017 de PatoAventuras, muito do seu passado tem inspiração nessa BD: o facto de ela pilotar aviões, de se perder no espaço, de estar afastada dos seus filhos durante muito tempo, etc. Eu diria mesmo que o backstory dela foi mesmo baseado nessa BD. Neste reboot, Dumbela iria ser dobrada por Sofia Brito.

Episódio "A Grande Perseguição da Moedinha!"
(T1 Ep. 3), PatoAventuras (2017)

    Agora que ela voltou a ser relevante, será que vai aparecer mais vezes no universo Disney? Afinal, o Oswald the Lucky Rabbit também passou por um grande período em que não era relevante, isto até ter sido lançado o jogo Epic Mickey Mas isso é outra história. Será que a Dumbela vai mesmo estar mais presente na media? Vamos ver…